sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ademir da Guia





Nome: Ademir da Guia
Nascimento:03/04/1942, no Rio de Janeiro
Clubes: Bangu (1960-1961), Palmeiras (1962-1977)
Seleção Brasileira: 1965 e 1974 (9 jogos, 0 gol)

     UM MESTRE DO TEMPO E DO ESPAÇO DE UMA PARTIDA DE FUTEBOL

     Na nobre linhagem de jogadores de meio campo que o futebol brasileiro já produziu, há um que
parece ter a palavra "injustiçado" como continuação do nome.
     Não há conversa sobre Ademir da Guia que não inclua as oportunidades que ele não recebeu na Seleção Brasileira, vítima do "azar" de ser contemporâneo de astros que, na opinião de quem escolhia, brilhavam mais.
     Ademir é o gênio que só jogou uma partida de Copa do Mundo na vida.
     A insistência quanto ao que faltou à carreira de um dos grandes meias de todos os tempos é um erro que não se justifica. Discussões sobre o ídolo máximo da história do Palmeiras deveriam se concentrar no oposto: o que sobrou na passagem de Ademir pelos gramados.
     Técnica, classe, inteligência. Ademir era aquele jogador que, sem esboçar esforço, fazia tudo o que acontecia em campo, para o time dele e o do adversário girar em torno de suas ações. Se fechasse os olhos por dois segundos, saberia dizer exatamente onde estavam todos os outros 21 jogadores e como o lance em andamento terminaria. Um mestre do tempo e do espaço de uma partida de futebol.
     Como a bola costuma preferir a companhia desses espécimes raros, ela colava como velcro nos pés de Ademir. Mas ele também era um jogador diferente quando queria se desfazer dela. A categoria com que recebia um passe, por pior que fosse estendia-se até o toque seguinte, para benefício do próximo companheiro. Ademir recebia uma pedra e entregava uma pluma.
     Leivinha, um dos grandes parceiros de tantos anos no Palmeiras, costuma dizer que jamais viu Ademir para o meio de uma roda de bobinho, por mais que os outros jogadores tentassem obrigá-lo a erra. Não conseguiam prejudicar a relação de intimidade que ele tinha com aquela esfera de couro, inatingível para a maioria infeliz.
     Quem não viu jogar não precisa de muita imaginação para visualizá-lo: é só pensar em alguém que fazia jogadas mais difíceis parecerem movimentos naturais, espontâneos, automáticos.
     Ademir da Guia só vestiu três camisas como jogador profissional. A do Bangu por dois anos. A do Palmeiras, por quinze. E a da Seleção, apenas doze vezes.
     É fácil descobrir a cor que o identifica. De verde, com um 10 às costas, ganhou, entre outros troféus, 5 títulos paulistas e 2 brasileiros. Um busto de bronze na sede da Sociedade Esportiva Palmeiras o imortalizou.
     Frustração e injustiça são sentimentos que não deveriam se associar à carreira de quem jogou tanto e sempre será reconhecido como um "fora de série". Ademir nasceu com excelência futebolística no DNA, transmitido pelo pai, Domingos da Guia. Seu tempo como jogador não poderia ter sido melhor, mesmo que a Seleção Brasileira não o tenha aproveitado.
     Seu apelido é Divino. Seu time, a Academia. Seu legado, arte com a bola nos pés.

Fonte: Os 100 melhores jogadores de todos os tempos

Nenhum comentário:

Postar um comentário